Vacina inalável pode ser melhor do que a versão em spray, diz estudo

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As vacinas em spray nasal têm sido apontadas por especialistas como o futuro para a contenção da pandemia de covid-19, devido à sua fácil aplicação e redução na transmissibilidade da doença. Agora, um grupo de pesquisadores da Universidade McMaster, no Canadá, afirma que a vacina inalável - via partículas de aerossol - é a melhor opção contra infecções por vias respiratórias.

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Segundo os pesquisadores, o método inalatório de vacinação entrega o conteúdo do imunizante de maneira mais profunda e oferece a melhor defesa contra as pandemias atuais e futuras.

Vacinas em spray nasal são também consideradas promissoras para prevenir infecções respiratóriasVacinas em spray nasal são também consideradas promissoras para prevenir infecções respiratóriasFonte:  Shutterstock 

Vacinas de aerossol inalado contornam a passagem nasal e liberam gotículas de vacina nas vias aéreas, onde podem induzir uma ampla resposta imune protetora, conforme relatam os pesquisadores, enquanto as vacinas em spray nasal atingem em maior parte apenas o nariz e a garganta.

Testes com a vacina em aerossol

Os pesquisadores fizeram os testes do estudo utilizando uma vacina contra a tuberculose. Eles compararam os métodos de entrega medindo a distribuição de gotículas, respostas imunes e potência do imunizante em animais.

Quando a vacina foi administrada diretamente nos pulmões - via inalação -, estimulou respostas imunológicas mais fortes, proporcionando uma proteção muito superior contra a doença.

Segundo Matthew Miller, coautor do estudo e especialista em doenças virais, as infecções no trato respiratório superior tendem a não ser graves, enquanto infecções causadas por vírus como influenza (da gripe) ou SARS-CoV-2 (da covid-19) tendem a penetrar profundamente no pulmão, deixando os pacientes realmente doentes.

“A resposta imune que você gera quando administra a vacina profundamente no pulmão é muito mais forte do que quando você apenas deposita esse material no nariz e na garganta por causa da anatomia e natureza do tecido e as células imunes que estão disponíveis para responder são muito diferentes”, explicou Miller.

Segundo Zhou Xing, professor do Centro de Pesquisa de Imunologia da Universidade McMaster, o estudo fornece, pela primeira vez, fortes evidências pré-clínicas para "apoiar o desenvolvimento de vacinas com entrega em aerossol inalado para vacinação humana contra infecções respiratórias - não apenas covid-19, mas incluindo também tuberculose e influenza".

Artigo Frontiers in Immunology: https://doi.org/10.3389/fimmu.2022.860399.